O PAPEL DO DESIGN NA SUSTENTABILIDADE DO PLANETA

Ambientalista holandesa Babette Porcelijn defende uma nova abordagem que tenha impacto restaurador no planeta.

Babette Porcelijn (Foto: Johannes Abeling Photography/ Divulgação)
Babette Porcelijn (Foto Johannes Abeling Photography/ Divulgação)

 

Os problemas ambientais são um desafio de design?
Projetar significa criar soluções para um problema social. Como designers, somos treinados para deixar de lado soluções existentes e começar do zero. Estamos acostumados a investigar minuciosamente os problemas e a ter ideias disruptivas, de preferência em cooperação com cientistas. Nos dias de hoje precisamos dessas habilidades para criar uma sociedade que tenha impacto mais restaurador do que prejudicial no meio ambiente. O design precisa ser eco-positivo.

Então, criar novos produtos também é importante quando se trata de resolver problemas ambientais?
Talvez seja, mas eu prefiro pensar mais em serviços do que em produtos. É seguro dizer que, antes de qualquer coisa, precisamos “desmaterializar” nossas vidas diárias.

O “impacto escondido” que você sugere no título do seu livro é o da fabricação de novos produtos?
A produção de objetos e alimentos tem muito impacto – maior do que pensamos – sobre clima, natureza e meio ambiente. Não apenas em casa, mas também do outro lado do mundo, ao produzirmos e transportarmos as coisas que compramos. No livro, me debrucei sobre isso, calculei como se traduz em nossas vidas diárias. Se nós incluirmos esse impacto escondido na avaliação, podemos mudar o cotidiano mais efetivamente.

Em relação à casa, qual a mudança mais importante para evitar um padrão de consumo predatório?
Compre somente aquilo de que você realmente precisa, partindo de uma perspectiva funcional, e de preferência de segunda mão. Contrate serviços, empreste, repare, reutilize e compartilhe. Desenvolva padrões alimentares sustentáveis (com alimentos locais e sazonais) e viva em uma casa de tamanho modesto, com bom isolamento térmico e fontes de energia renováveis. Quanto à mentalidade, acho que precisamos perceber que a felicidade não depende do luxo.

Hoje vivemos uma revalorização do “feito à mão”. É apenas um movimento nostálgico ou tem relevância, se pensarmos na forma de fabricar os produtos?
Ao serem confrontadas com uma crise, as pessoas tendem a querer voltar para o passado, quando as coisas parecem ter sido melhores. O movimento artesanal pode ser visto sob essa luz. Em 2050 seremos 10 bilhões de pessoas no planeta, um aumento de 25% em três décadas. Como a economia crescerá com um fator 2.7, esses 10 bilhões vão consumir como 20 bilhões. O “feito à mão” pode ser inventivo, mas não é uma contribuição séria para produzir para nossas necessidades diárias. Pequenas empresas podem ter motivos meramente comerciais e algumas das grandes se esforçam para tornar o mundo melhor, com potencial de impacto positivo. Temos que olhar de perto e investigar ambas.

Vimos acontecer um certo greenwash nas últimas décadas e marcas se apropriaram de um discurso “verde” para maquiar atitudes prejudiciais. Da perspectiva do consumidor, falar sobre a emergência de ser sustentável pode provocar uma mudança de hábitos real?
Espero que minha pesquisa dê às pessoas a visão para distinguir o greenwashing de soluções que fazem a diferença. Não podemos perder tempo com medidas ineficazes. Falar sobre a urgência da questão não funciona, as pessoas não querem ouvir coisas assustadoras, sentem-se impotentes. É preciso mostrar a elas que as escolhas são fundamentais e apresentar soluções atrativas. Aí entram os designers: temos que fazer o estilo de vida verde ser atraente!

A realidade nos países emergentes e de terceiro mundo é que, na hora de consumir, não é possível sequer fazer escolhas. Qual a alternativa pensada nesses cenários?
Segundo Kate Raworth, no livro Doughnut Economy, o círculo interior do donutsignifica falta e pobreza (terceiro mundo) e o círculo exterior quer dizer superação (sociedades luxuosas que criam uma carga pesada sobre os recursos naturais). O donut em si é a zona segura, o ponto de encontro entre privação e consumo excessivo. Deveríamos mirar nisso coletivamente!

Top 10 do impacto (Foto: Casa e Jardim)

Fonte: CASA e JARDIM

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