DAEE alega ‘adequação’ para redução de plantio em represa do Alto Tietê

Em setembro de 2015, órgão previa plantio de 141 mil mudas em 97 hectares.
Reservatório de Salesópolis agora vai receber 110 mil mudas em 66 hectares.

Após adequação no projeto do Programa Nascentes o número de mudas que devem ser plantadas no reservatório de Paraitinga caiu de 141 mil para 110 mil, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee). Até agosto já tinham sido cultivadas 36 mil mudas de árvores de espécies nativas às margens do reservatório do Paraitinga, em Salesópolis, ainda segundo o Daee.

O programa tem o objetivo de recuperar matas ciliares às margens de represas e rios e é uma parceria do Daee com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente. A medida pode melhorar a incidência de chuva. Na represa de Paraitinga serão reflorestados, até março de 2017, 66 hectares. Em setembro de 2015, porém, o projeto previa o plantio em uma área de 97 hectares.

Foto tirada com drone mostram a situação da Represa de Paraitinga no dia 14 de agosto de 2015 (Foto: José Antônio de Assis/ arquivo pessoal)Durante a crise hídrica, em agosto de 2015, sem água, grande parte da Represa de Paraitinga foi tomada por vegetação (Foto: José Antônio de Assis/Arquivo Pessoal)

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, não há previsão de plantios em outras represas do Sistema Alto Tietê, que durante a crise hídrica ajudou a abastecer áreas do Cantareira. Quando o plantio começou, em 2015, o governador Geraldo Alckmin esteve no reservatório de Paraitinga e informou que outros quatro reservatórios do Sistema Alto Tietê seriam beneficiados com o projeto.

Questionado sobre os novos números, o DAEE negou a redução da área de reflorestamento e afirmou que ocorreu uma adequação.  “A proposta inicial do programa Nascentes para o reservatório de Paraitinga sugeria o plantio de 141 mil mudas. O projeto foi adequado para 110 mil mudas, quantia que atende à necessidade de plantio na faixa de 30 metros de áreas de preservação permanente (APP) ao longo do reservatório”, informou a nota enviada.

Área cultivada
Para o ambientalista Helder Wuo, o número não é o suficiente. Wuo, que era membro do Comitê de Bacias da Região Metropolitana, na época do processo de aprovação das barragens do Sistema Alto Tietê, já tinha afirmado anteriormente ao G1que seria preciso, ao menos, 1 milhão de mudas em Paraitinga. “Os cálculos do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) não estão sendo seguidos. Nas barragens, deve ser preservada uma faixa de 100 metros nas margens e 30 metros para os rios. Eles estão usando 30 metros, como se as represas fossem rios”, argumenta.

A Secretaria de Meio Ambiente informou que o Programa Nascentes realiza acompanhamento paralelo ao da Cetesb visando o cumprimento do Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA) no âmbito do licenciamento.

O Daee ainda acrescentou que o projeto de recuperação das matas ciliares do reservatório do Paraitinga, em Salesópolis, tem uma faixa de 30 metros de largura ao longo de todo o reservatório. Esta medida foi estabelecida no Termo de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRA), firmado entre o DAEE e o DEPRN (Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais) na época de Licenciamento Ambiental das Barragens em 2004.

O Daee frisou ainda que o Projeto Nascentes tem a meta de restaurar cerca de 20 mil hectares de matas ciliares e proteger 6 mil quilômetros de cursos d’água em todo Estado.

Projeto Nascentes
O objetivo do projeto é recuperar a vegetação das margens de nascentes de rios, córregos e lagos, além das represas. O trabalho é realizado pelo DAEE em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) e a Secretaria de Administração Penitenciária, já que internos de oito penitenciárias do Estado trabalharam na produção de mudas.

O plantio começou em novembro de 2015.  Os benefícios do cultivo, como a maior frequência de chuva e maior consistência das margens dos cursos d’água, evitando erosões, já poderão ser observados em um ano, segundo o governador.

Ambientalista Hélder Wuo, de Salesópolis (Foto: Reprodução/ TV Diário)Hélder Wuo acredita que a faixa de reflorestamento
deveria ser maior (Foto: Reprodução/ TV Diário)

Um fator positivo apontado pelo ambientalista é que, apesar da faixa de reflorestamento ser pequena, a qualidade das mudas que estão sendo plantadas são adequadas para as Áreas de Preservação Permanente. “O programa está utilizando mudas nativas e diversificadas isso é bom para tentar voltar à mata original e preservar o ecossistema.”

Preservação e a água
O ambientalista explica que as florestas exercem um papel fundamental no ciclo hídrico, principalmente nas áreas rurais. “A água da chuva se infiltra no solo e, com as folhas que vão caindo, o material orgânico que é formado ajuda para que a água seja depositada no lençol freático”, detalha.

Além da absorção da água, Wuo explica que as árvores ajudam no sistema de chuvas. “Além da água se infiltrar no solo, ela ajuda na evaporação e na formação da nuvem”, acrescenta. Durante a estiagem que afetou o Estado de São Paulo a partir do ano de 2013, a Represa de Paraitinga  chegou a operar com 11% da capacidade.

Abastecimento
De acordo com informações da Sabesp, o Alto Tietê abastece atualmente 4,2 milhões de pessoas em parte da zona leste de São Paulo e nas cidades de Ferraz de Vasconcelos, Poá, Itaquaquecetuba, Arujá, Suzano, Mogi das Cruzes, Mauá (parcialmente) e Guarulhos (parcialmente).

A população atendida pelo sistema saltou de 3,8 milhões de pessoas para 5 milhões em dezembro de 2013 por causa da crise no Sistema Cantareira. Um ano depois de começar a ser usado como reforço do Cantareira, em dezembro de 2014, o sistema chegou a ter apenas 4,2% da capacidade.

Fonte: G1 Globo.com

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